O escritor brasileiro Lima Barreto será homenageado na 15ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre 26 e 30 de julho de 2017. Nascido no Rio de Janeiro em 1881 e morto apenas 41 anos depois, o autor é conhecido pelo livro "Triste Fim de Policarpo Quaresma" e pelas críticas sociais e políticas ao Rio de Janeiro e ao Brasil.

A obra de Lima Barreto já vinha sendo cogitada como tema de discussões na Flip há alguns anos. E a feira, sobretudo em 2016, foi criticada pela ausência de autores e autoras negras em sua programação.

De acordo com a organização da Flip, "a edição resgatará a trajetória de um homem que estabeleceu-se como escritor no Rio de Janeiro, capital da Primeira República e da cultura literária do país. Em um meio marcado pela divisão de classes e pela influência das belas letras europeias, era difícil para um autor brasileiro com as suas origens afirmar seu valor".

Joselia Aguiar, jornalista que assumiu a curadoria da Flip 2017, fala que Lima Barreto por muito tempo "ficou na 'aba' de literatura social, e sua obra e trajetória possibilitaram muitos debates sobre a sociedade brasileira".

"O que eu gostaria, mesmo, é que a Flip contribuísse para revelar o grande autor que ele é. Para além das questões importantíssimas sobre o país que ajuda a levantar, tem uma expressão literária inventiva e interessante, à frente de sua época em termos formais, capaz de inspirar toda uma linhagem da literatura em língua portuguesa", diz Joselia Aguiar no site oficial da feira.

Já Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip, afirma que Lima Barreto faz valer a máxima dita pelo escritor russo Liév Tolstói, "se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia".

"O Lima é o autor de um território. O universo literário dele é determinado pela criação da Avenida Central, do Rio de Janeiro, que estabelece os diferentes graus de distância dos subúrbios com a Zona Sul e o Centro da Cidade. O olhar do Lima sobre a variedade de personagens brasileiros – seja nos subúrbios, seja nas regiões centrais – é determinado pela experiência do território onde viveu por quase toda a vida", diz Munhoz

G1